Com Renata Kuerten na passarela, a marca Hisha estreou no Rio Fashion Week com a coleção “Doura”, coleção de Giovanna Resende, que aprofunda a pesquisa sobre o barroco mineiro iniciada em “Barroca”. No Píer Mauá, no Rio de Janeiro, o desfile terminou com vestido curto com véu de 10 metros que se transforma em tapete, inspirado nos enfeites de rua em datas santas para procissões.

Lançada em 2018, a marca parte de referências de São João del-Rei, leia-se altares, talhas douradas, jogos de luz e sombra, para construir uma narrativa em que a memória ganha forma contemporânea. São 40 looks entre reedições e inéditos, com mistura de inverno e verão e expansão para novas categorias, como sapatos e acessórios. Tudo com um vibe meio setentista, livre e solta, ainda que trazendo uma atmosfera mais intimista, levemente sombria.

É no bordado, ponto forte da grife, que tudo se organiza, num trabalho que une a destreza de pelos menos 200 mulheres mineiras. Ele deixa de ser detalhe para virar estrutura: aparece em arabescos, relevos e superfícies tridimensionais que moldam o corpo e dialogam diretamente com a ornamentação barroca. O dourado surge como símbolo, mais do que efeito, enquanto recortes, transparências e drapeados criam profundidade, quase como arquitetura aplicada ao tecido.

O trabalho manual, desenvolvido com as artesãs da marca, reforça essa construção autoral. Na passarela, os mais de 100 elementos que formam os looks acompanham esse discurso. Sim, na Hisha o bordado é a linguagem central, mas deixa espaço para vestidos, calças e blazers, inclusive usados por modelos masculinos, transitem com leveza e leve toques de sensualidade.
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