Wales Bonner: a “ativista” negra que vestiu Meghan no pós-parto

Rosângela Espinossi
Publicado em
Meghan Markle e Príncipe Harry (Foto: Reprodução/Instagram/#sussexroyal)

Meghan Markle e Príncipe Harry (Foto: Reprodução/Instagram/#sussexroyal)

O mundo fica de olho no que Meghan Markle usa desde que foi anunciada como noiva do príncipe Harry, sexto na sucessão do trono da Inglaterra, em 2017. Para apresentar o recém-nascido, chamado Archie Harrison Mountbatten-Windsor – à imprensa e aos fotógrafos, mais uma vez o look da agora duquesa de Sussex chamou a atenção. Logo depois da divulgação das fotos, vários meios ingleses, como o The Sun, publicaram que vestido era da grife francesa Givenchy, que também fez o seu vestido de noiva. Depois, corrigiram a informação indicando o nome correto da estilsta: Grace Wales Bonner.

Mas quem é esta jovem estilista que se formou em 2014 na Central Saint Martins, a mais conceituada escola de moda da Inglaterra? Pelo seu trabalho de formatura, já dá para perceber que ela tem o que dizer. Intitulada “Afrique”, o trabalho reuniu um elenco de modelos masculinos negros e foi o ganhador do Prêmio de Talento Profissional L’Oréal.

Em 2015, lançou a coleção “Ebonics”, termo inglês que originalmente se referia à língua de todas as pessoas descendentes de negros africanos escravizados, particularmente na África Ocidental, Caribe e América do Norte. Também já se inspirou no escravo etíope e líder militar Malik Ambar, entre outras referências negras.

 

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Essa “militância fashion” reflete a importância de Meghan Markle em escolhê-la. É filha de pai jamaicano e mãe inglesa, afrodescendente e mestiça como a própria duquesa de Sussex. No instagram e no site da marca, não faltam referências referências à cultura negra.

Esse caminho escolhido, aliado a um produto de alfaiataria perfeita, a levou a acumular vários prêmios. No ano passado, recebeu 300 mil euros por vencer o Prêmio LVMH, além de um ano de orientação com executivos do conglomerado de luxo francês, dono, entre outras marcas, da Dior, da Givenchy e da Louis Vuitton. Em janeiro deste ano foi convidada pela estilista Maria Grazia Chiuri, para interpretar o famoso New Look Dior, que foi apresentado na coleção cruise da marca, no final de abril, em Marrocos. A coleção veio com uma forte inspiração africana. O ultimo prêmio de Grace foi divulgado na última semana: ganhou o British Fashion Council/Vogue Designer Fashion Fund.

Em entrevista à revista Vogue  inglesa, patrocinadora do prêmio, ela fala sobre o conceito da grife: “Acredito que Wales Bonner é uma marca importante para os tempos em que estamos vivendo. Foi concebida como um meio para colocar negritude no cenário da moda e romper as noções europeias tradicionais de luxo com um hibridismo e multiplicidade de perspectivas.”

A revista publicou também uma frase que ela tinha dito tempos atrás:  “É minha ambição construir uma marca que vem de uma perspectiva cultural negra e tem a mesma autoridade, presença e impacto que qualquer casa européia estimada. A longo prazo, quero que Wales Bonner exista no mesmo nível.”

Sem gênero

Outro elemento importante da estilista é o trabalhar com roupas sem gênero, antenada com a vontade dos jovens de hoje, que não se ligam nas peças divididas por sexo. Tanto que quando abriu sua marca, as roupas eram direcionadas para os homens, mas caiu em seguida no gosto das mulheres e de compradores de grandes redes varejistas, como Selfridges, ou lojas descoladas, como10 Corso Como, de Milão.

“Tive algumas clientes particulares do sexo feminino pedindo minhas peças desde a minha coleção de pós-graduação”, disse ela em reportagem do site The Gentlewoman“Eu adoro quando um garoto coloca uma das jaquetas bordadas que as mulheres usavam e não sabe a diferença. Meu trabalho é sobre estar aberta à interpretação”, acrescentou.

Claro que o vestido de Meghan Markle é uma peça à parte, mas está dentro do conceito de vestido-casaco, sem mangas, que no mundo de hoje  pode também ser usado por garotos descolados. A escolha de Meghan é mais uma mensagem de diversidade para o mundo, seja em relação à cultura, à raça ou ao sexo. 

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