De vendedor de água nos faróis de São Paulo a modelo da WAY Model. Aos 18 anos, Vitor Santos comemora a nova fase da carreira após assinar contrato com a agência de Anderson Baumgartner, responsável por nomes como Alessandra Ambrósio, Carol Trentini e Marlon Teixeira. Com vitiligo desde os 11 anos, condição que desenvolveu durante a pandemia, o jovem quer transformar sua trajetória em inspiração para outras pessoas. “Me sinto animado. Espero motivar pessoas como eu a não esconder a beleza do vitiligo”, afirma.

Estreante na moda, Vitor foi revelado pela seleção de modelos Me Nota Way, realizada em julho de 2026. Antes de ingressar no universo fashion, passou por diferentes trabalhos para ajudar a família e conquistar seus objetivos. “Aos 12 anos, ajudava minha mãe no farol. Ela passava o dia vendendo geladinho e eu vendia água nos carros. Com 13 anos, vendia brigadeiros em estações de metrô. Aos 17, trabalhei vendendo doces na rua para pagar minha formatura no curso de empreendedorismo que fiz na igreja. Meus últimos trabalhos foram como freelancer em mudanças e em festas juninas, cuidando dos brinquedos”, relembra.

Vitor fala abertamente sobre o vitiligo e sobre a falta de referências que enfrentou durante a infância e adolescência. “Aos 11 anos, durante a pandemia, desenvolvi vitiligo por conta da ansiedade e do estresse, que eu não compartilhava com ninguém. Dificilmente via pessoas como eu ocupando espaços públicos e servindo de inspiração. Com o apoio de amigos e familiares, principalmente da minha mãe e da minha irmã, comecei a enxergar beleza nas minhas manchas e quis mostrá-las mais”, conta.

Nos últimos anos, a presença de modelos com vitiligo tem ampliado a representatividade na moda. O principal exemplo é o da modelo canadense Winnie Harlow, que ganhou projeção internacional em 2014 ao participar da 21ª temporada do reality America’s Next Top Model. Nascida em Toronto, em 27 de julho de 1994, ela transformou o vitiligo em uma de suas marcas registradas e se tornou uma das principais porta-vozes da condição no universo fashion, abrindo caminho para uma indústria mais diversa e inclusiva.
O interesse de Vitor pela moda surgiu justamente ao acompanhar o trabalho da WAY Model nas redes sociais. “Eu admirava as postagens e a beleza que os modelos transmitiam. Quando vi a seleção Me Nota Way, pensei: ‘Será que eu poderia ser modelo?’. Com o incentivo da família e dos amigos, tomei coragem e me inscrevi.”

No dia da seleção, o nervosismo dividiu espaço com a expectativa. “Nunca tinha visto uma referência parecida comigo e carregava algumas inseguranças. Quando cheguei diante dos avaliadores, me senti visto como alguém especial. Eles quiseram me conhecer, fizeram perguntas e me deram um apoio que eu não esperava receber. Saí daquela conversa com a sensação de que já tinha sido aceito, antes mesmo de qualquer confirmação”, lembra.
Revelado pela WAY Model, o jovem demonstrou desenvoltura já em seu primeiro ensaio fotográfico. Para ele, a oportunidade representa não apenas o início de uma carreira, mas também a chance de ampliar a representatividade de pessoas com vitiligo no mercado da moda.
Além da moda, Vitor cultiva outras paixões. Já se dedicou ao desenho, à música, ao basquete e cursou Nutrição e Dietética em uma ETEC de São Paulo. “Já pratiquei canto e aprendi a tocar piano e violão por admiração aos instrumentos. Também sou quase fluente em Libras. Comecei a estudar sozinho há dois anos para me comunicar com amigos surdos da escola. Admiro muito a língua e a forma como os sinais expressam a comunicação”, diz.
Hoje, sua maior motivação continua sendo a família. “Minha inspiração para ser modelo é poder ajudar minha família. É isso que mais me motiva a evoluir na carreira”, finaliza.
