LED promove “Baile da Saudade” em primeiro desfile fora do SPFW com crochês, fuxicos e moda upcycling

Nove anos depois de entrar para o line-up do São Paulo Fashion Week, Célio Dias apresentou um desfile independente da LED no salão de bailes da União Fraterna, em São Paulo. “Baile da Saudade” fala de memória, afeto e de um tempo que parece menos egocêntrico. E talvez seja justamente essa sensação que fique quando se olha para a coleção: a de voltar para uma casa arrumada, para peças feitos à mão, para coisas que carregam histórias.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

Na passarela, pompons, patchworks de tecidos e crochês nada óbvios dividiram espaço com babados e peças de tiras cruzadas feitas a partir de materiais de upcycling, prática que acompanha a trajetória da grife mineira. Alfaiataria em linho e algodão apareceu ao lado de volumes arredondados e inesperados nos quadris e no colo. Poás em preto e branco, looks all black e branco total completaram a coleção.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

Mas foram os detalhes que ajudaram a construir essa sensação de saudade. No styling, bolsas de tecido levavam arranjos de flores naturais, como se tivessem acabado de sair de uma casa ou de uma festa de outros tempos. É uma imagem simples, mas que diz muito sobre a proposta. A moda aqui não parece querer apenas chamar atenção. Ela quer lembrar.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

O crochê, que faz parte do DNA da LED, apareceu distante de qualquer ideia de artesanato óbvio. Fuxicos, texturas, diferentes pesos de tecidos e construções manuais foram usados em peças que misturam técnicas tradicionais e modelagens contemporâneas. É um trabalho que olha para o fazer brasileiro sem transformá-lo em fantasia folclórica.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

Segundo o material de divulgação da marca, “Baile da Saudade” faz parte de uma pesquisa continuada da LED sobre tecnologias brasileiras, desenvolvida nas últimas temporadas. A coleção também amplia o trabalho da grife com outros criadores independentes brasileiros.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

Entre as parcerias estão os primeiros sapatos da LED, desenvolvidos com a Dubuy, parte da alfaiataria feita em conjunto com Vitor Souza, o trabalho de fuxico de Bira Godoy e as experimentações da Retropy. A parceria com a New Balance, iniciada no desfile anterior, também continua nesta temporada, com os modelos ABZORB 2000 e 5030. O desfile contou também com parceria com a Círculo, que forneceu as linhas para o crochê e vai disponibilizar receitas de algumas peças criadas pela LED.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

Célio Dias não fez nenhum manifesto político explícito no desfile. Não precisava. Manter o fazer artesanal brasileiro e reutilizar materiais é, por si só, um ato político, principalmente em um momento em que a soberania nacional está ameaçada. É uma maneira de dizer que ainda há valor no que é feito aqui, por mãos brasileiras, e que materiais podem ganhar novas vidas.

Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

“Em um momento em que quase toda presença se transforma em notificação, falar de saudade também é falar da vontade de voltar a frequentar os nossos afetos e coisas que são naturalmente nossas, falando em brasileiro”, diz Cleu Oliver, em declaração divulgada pela marca. A própria escolha do espaço ajudou a contar essa história. O salão da União Fraterna, com seu ar de outros tempos, recebeu uma coleção que mistura memória e experimentação sem ficar presa ao passado.

Carnaval

Thelminha no desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Thelminha no desfile LED (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

E o encerramento foi ainda mais brasileiro. Depois da fila final, a médica e ex-BBB Thelma de Assis entrou sambando acompanhada por ritmistas para divulgar a nova camiseta do o Carnaval do Camarote Bar Brahma, do qual é musa. À frente da criação da camiseta oficial do CBB 2027, Célio Dias buscou traduzir na peça diferentes símbolos e referências que remetem ao Brasil. A proposta reúne elementos que representam o país de Norte a Sul, incluindo referências que fazem parte do imaginário e das paisagens brasileiras, em uma composição que pretende valorizar a diversidade cultural e a identidade nacional.

Camiseta do Camarote Bar Brahma (Foto: @timedefoto/Divulgação)
Camiseta do Camarote Bar Brahma (Foto: @timedefoto/Divulgação)

“A camiseta foi pensada para trazer o Brasil inteiro para dentro de uma única peça. Ela reúne elementos que remetem a diferentes lugares, paisagens e símbolos que fazem parte do imaginário brasileiro, quase como uma viagem pelo país. A ideia foi criar uma camiseta que não representasse apenas um ponto ou uma região, mas que celebrasse essa diversidade que faz o Brasil ser tão único. Para chegar a esse resultado, foram 36 horas dedicadas ao desenho dos ícones que compõem a estampa, pensando em como cada elemento poderia representar uma parte do país e, juntos, contar essa história.  E acho que isso conversa muito com o Carnaval, que também tem essa capacidade de reunir pessoas, histórias e culturas diferentes em uma mesma festa”, explicaram Célio Dias e Cleu Oliver.

“Estar mais um ano como madrinha do Camarote Bar Brahma é uma alegria enorme, porque é uma relação que já faz parte da minha história com o Carnaval de São Paulo. Foi incrível desfilar com a camisa deste ano durante o desfile da LED e já começar a imaginar todas as possibilidades de produção. Para mim, o abadá nunca é só uma camiseta, é o ponto de partida para brincar com a moda, colocar personalidade e entrar no clima da festa. Que seja mais um Carnaval de muitos encontros, histórias e sorrisos no maior Camarote de São Paulo”, afirmou Thelminha.

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