SPFW: Marina Bitu leva referências do mar a construção histórica em restauro no Ipiranga

A 61ª edição do SPFW tem início efetivo no Pavilhão das Culturas Brasileiras, na tarde desta quarta-feira (14), com o desfile da À La Garçonne. Alexandre Herchcovitch e Forca Studio se apresentaram na terça-feira (13), em locais externos. Nesta manhã, a grife Marina Bitu levou os convidados ao antigo prédio do Noviciado Nossa Senhora das Graças das Irmãs Salesianas, construído em 1920, no Ipiranga, em São Paulo.

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

A construção histórica, abandonada há 10 anos, passa por um processo de restauro e será preservada, mesmo com a construção de residências no terreno de mais de 5 mil metros quadrados. Nesse cenário de reforma, com corredores cobertos por lonas azuis, as modelos desfilaram a coleção Abissa, inspirada no mar e no trabalho de três mulheres cujas trajetórias se relacionam com os oceanos.

De acordo com o material de divulgação, a pescadora Márcia Ribeiro, de Canoa Quebrada, no Ceará, representa a resiliência de quem há mais de 30 anos exerce uma atividade tradicionalmente masculina e faz do mar seu sustento. A oceanógrafa brasileira Marta Vannucci, pioneira nos estudos dos ecossistemas marinhos, simboliza a pesquisa e a preservação dos oceanos. Já a geóloga e cartógrafa Marie Tharp, responsável por tornar visível o relevo do fundo dos oceanos por meio de seus mapas, representa a busca pelo que ainda é desconhecido.

A partir dessas referências, a grife cearense apresentou uma coleção de movimentos suaves. O desfile começou com um look em tom areia, formado por sobreposições de tecidos cortados em triângulos, que remetiam às velas dos barcos. O plissado, uma das marcas da grife, apareceu em peças leves, com transparências e recortes que ora revelavam, ora cobriam o corpo.

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

A fluidez das roupas veio de materiais como organza de seda pura, gazar de seda pura e voil. As peças se movimentavam suavemente, em referência à calmaria do mar.

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

A indumentária dos pescadores também serviu de referência, com listras e cordas usadas como amarrações. A palha de fibra de bananeira, trabalhada pela Associação Fibrarte, do interior do Ceará, apareceu no acabamento de barras de vestidos, saias e blusas. O material natural criou um contraponto às superfícies leves dos tecidos.

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

Além do areia, a cartela de cores incluiu azul, preto, off-white e vermelho. Algumas peças traziam estampas que remetiam ao oceano, enquanto outras exploravam recortes e sobreposições de tecidos para criar volume e movimento.

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

Os bordados apareceram em formas que lembravam corais, com miçangas, vidrilhos e canutilhos. Já os tesouros do fundo do mar foram representados por placas redondas de latão, com banho dourado ou prateado, aplicadas como paetês em vestidos e blusas.

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

 

Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)
Marina Bitu (Foto: Rosângela Espinossi)

 

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