Gustavo Silvestre mistura pedras preciosas ao crochê e amplia possibilidades do jeans em 1º desfile independente

O estilista Gustavo Silvestre fez seu primeiro desfile independente na manhã desta quarta-feira (7), na Formosa Hi-Fi, casa noturna no Centro de São Paulo. A coleção, chamada “Original”, mantém o trabalho artesanal de crochê como ponto de partida e acrescenta novas ideias, incluindo jeans reciclado, que ganham novas formas e novas histórias.

Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)
Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)

Silvestre foi o criador do Projeto Ponto Firme, que insere presidiários, egressos do sistema prisional, mulheres trans e em situação de vulnerabilidade, que o ajudam a cconfeccionar as peças. Participante há várias temporadas do SPFW, o estilista é mais um a optar por um desfile fora do calendário oficial, como a LED, que apresentou sua coleção dia 18 de setembro, além de Walério Araújo e Weider Silveiro, que mostrarão suas criações dia 12. O evento começa oficialmente dia 13 de outubro.

Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)
Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)

A coleção tem como foco o crochê, técnica com a qual o estilista trabalha há 12 anos, com formas tanto mais ajustadas quanto mais amplas e arredondadas. Dos looks brancos e pretos aos supercoloridos, o estilista acrescentou volumes e misturou várias peças com jeans. Além disso, incluiu pedras brasileiras, como a ágata, aplicadas às tramas feitas à mão, conferindo ainda mais status de obra de arte a cada peça, que é única e, como diz o nome da coleção, “original”.

Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)
Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)

Os jeans surgiram na passarela a partir da colaboração do estilista com a C&A, em comemoração aos 50 anos da rede de fast fashion no Brasil. Os produtos usados seguem o DNA do estilista de incluir moda circular em suas criações, ressignificando as peças e dando ar artesanal a cada uma delas.

Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)
Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)

Os tecidos são provenientes do Movimento ReCiclo, programa de logística reversa da empresa, pelo qual os clientes deixam nas lojas as roupas paradas para ganharem outra vida. “Tudo o que a gente usa como matéria-prima já teve uma vida e carrega uma história. E essa história enriquece ainda mais a peça”, disse o estilista no material de divulgação.

Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)
Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)

Essa nova história do tecido é contada revisitando códigos do próprio acervo para novas leituras, como as saias feitas com várias calças jeans, criando volume e movimento inesperados, assim como a jaqueta que pode ser usada amarrada ou sobreposta. Os looks em jeans largos ou mais secos também surgem ao lado de peças mais volumosas.

Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)
Desfile Gustavo Silvestre (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/Divulgação)

O desfile também marca o encontro entre o crochê de Gustavo Silvestre, que já apresentou seu trabalho na alta-costura de Paris, e o trabalho de Janaïna Milheiro, designer e artista franco-brasileira radicada na capital francesa. Reconhecida por desenvolver técnicas autorais com plumas, Janaïna transita entre moda, design e arte contemporânea e colabora com casas como Dior, Chanel, Hermès e Schiaparelli. Para “Original”, os dois artistas desenvolveram juntos paetês de plumas criados especialmente para a coleção e incorporados às peças de Gustavo. A coleção conta ainda com acessórios desenvolvidos pelo designer Carlos Penna, dando continuidade à parceria com o estilista.

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