Sutil, estilista de Cabo Verde leva sentimento negro ao SPFW

Ângela Brito se inspirou no blues; a grife Beira mostrou várias tonalidades de azul

Rosângela Espinossi
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Angela Brito (Foto: Francisco Cepeda/AgNews)

Angela Brito (Foto: Francisco Cepeda/AgNews)

Estreante nas passarelas do SPFW, a estilista Angela Brito apresentou sua coleção de verão 2020 inspirada no sentimento transmitido pelo blues e toda sua história que conta o sofrimento negro. No material de divulgação, ela deixa bem claro seu propósito: “Nos trilhos de uma antiga ferrovia, o blues segue sua jornada de metáforas sobre o deslocamento diante do mundo e o desejo de liberdade”.

Apesar de a música – nascida no Mississipi, durante as colheitas de algodão pelo negros, no fim do século 19 – trazer um sentimento de dor, a coleção foi mostrada de forma suave, sem mesmo o blues tradicional ser tocado na trilha sonora. Radicada no Brasil há mais de duas décadas, a estilista cabo-verdiana transformou esse trauma em fuga, palavra tema da coleção, em looks despretensiosos, nada rígidos, em tonalidades frias e quentes, mas nada muito forte.

Angela Brito (Fotos: Francisco Cepeda/AgNews)

Angela Brito (Fotos: Francisco Cepeda/AgNews)

Assim, mistura de mostarda com verde, com azul, terrosos, avermelhados, finalizando com brancos. Angela cultiva expertise em alfaiataria, que vem desconstruída e leve, transformada em peças como blusas, saias, vestidos, ora mais largos ora mais justos.

As estampas silvestres transportavam os looks para o campo, sempre de forma sutil e delicada. As modelos, todas negras, surgiam com flores na mão, além de pétalas fazerem parte do make, nos olhos, perto da boca ou nos cabelos. Uma ótima estreia no SPFW de quem tem o que falar, pelos meios que lhe são dados, no caso dela, pelos tecidos, linhas e costuras.

Angela Brito (Fotos: Francisco Cepeda/AgNews)

Angela Brito (Fotos: Francisco Cepeda/AgNews)

Calma

Beira (Francisco Cepeda/AgNews)

Beira (Francisco Cepeda/AgNews)

A  grife Beira, de Livia Cunha Campos, passou pela passarela de cimento do chão do Pavilhão das Culturas Brasileiras, com seu jeito calmo e tranquilo de ser. Desfiou monocromia em vários tons de azul, alguns quase cinza, combinando com a sala do desfile do SPFW.

Beira (Francisco Cepeda/AgNews)

Beira (Francisco Cepeda/AgNews)

Looks agêneros, largos, vinham em tonalidades claras até o azul-índigo. mas nada que chocasse. Tecidos mais rígidos ou mais leves, com base no algodão, permitiam manchas feitas de forma manual ou em processos de lavanderia, algumas contrastando com as costuras. Um jeito gostoso para se levar a vida. Uma parte da coleção será disponibilizada para venda virtual antes do lançamento oficial, em janeiro de 2020.