Elke Maravilha: um legado de transgressão fashion

Rosângela Espinossi
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elke maravilha - morte - exótica

Elke sendo Elke, de verdade

Exótica, transgressora e à frente de seu tempo. Assim sempre foi Elke Maravilha. Lembro dela desde como jurada de programas de TV, especialmente no Chacrinha. Eu era criança e via aquela figura alta, loira com cabeleira enorme e roupas diferentes como um personagem. Mas não, Elke sempre foi Elke. Sem nenhum paramento, não seria a Elke, nascida na Rússia, com oito idiomas fluentes, que chegou ao Brasil aos 6 anos e sempre esteve à frente de seu tempo.

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Elke Maravilha encarna a Mortícia Adams

Ela mesma sabia disso e hoje botaria qualquer Lady Gaga no chinelo no quesito fantasia real. Afinal, em questão de estilo próprio não dá para comparar. Aos 71 anos, não resistiu a complicações após uma cirurgia de úlcera há um mês. Diabética, o organismo não respondia mais aos medicamentos. Morreu na madrugada desta terça-feira (16).

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Exotismo sempre foi a marca oficial de Elke

Sempre foi uma figura emblemática também no quesito fashion. Começou a desfilar aos 24 anos com Guilherme Guimarães, depois subiu nas passarelas de Clodovil, de Zuzu Angel, de quem era amiga. “… Aos poucos fui me impondo, mesmo como manequim. No início fazia um pouco o jogo, porque também sei ser chique: fazer um cabelo convencional, uma maquiagem leve etc. Mas aquilo para mim era fantasiar-me. Eu não sou aquilo! E o legal é que os próprios costureiros começaram a entrar no meu barato, entender o meu estilo e proposta estética e fazer roupas especiais para eu desfilar”, disse em seu site oficial.

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Ao 70 anos e cheia de vida, posou para a grife de Lucas Magalhães em 2015

E realmente entraram no “barato de Elke”. Maximalista sempre, mostrou que a vida é feita para se divertir, mais do que seguir regras. Em 2015, protagonizou a campanha do estilista mineiro Lucas Magalhães, interpretando Maria Bonita, com roupas da coleção e acessórios de seu acervo pessoal. Sempre à frente de seu tempo, adolescente ainda resolveu rasgar suas roupas, desgrenhar o cabelo e sair na rua. “Levei até cuspida na cara”, contou também em seu site. Nada que a fizesse desistir de ser a Elke de sempre.

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Sem tantos enfeites: “Também sei ser chique: fazer um cabelo convencional”

O mundo fashion tem muito o que aprender com Elke, impondo seu estilo próprio e mostrando que você realmente é o que você veste. Se isso for feito com diversão e alegria, criança, melhor ainda. Elke agora deve estar rasgando as roupas e desgrenhando os cabelos dos anjos ou de demoninhos. Afinal, mais que viver, ela sempre quis conviver, como sempre dizia, sem preconceito de nenhuma espécie.

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Elke, sempre à frente de seu tempo