Augusto Paz foca na construção da roupa e apresenta coleção sólida, com estreia da linha masculina

Na terceira coleção de Augusto Paz, a roupa é o ponto de partida, o meio e o fim. Sem eleger um tema ou uma narrativa específica, o estilista decidiu concentrar o trabalho no próprio ofício de fazer moda, com atenção aos materiais, às técnicas e aos detalhes de cada peça, tanto femininas quanto na estreia da linha masculina. Lembrando que na primeira coleção, em 2024, trabalhou sobre o luto, mas de forma nada óbvia. Em 2025, teve como inspiração “A casa da tia Cleusa”, onde passou grande parte da infância.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

“Essa decisão de trabalhar sem tema foi meio que a adoção de uma metodologia. A gente decidiu focar nossa energia no que considerava mais importante: fazer roupa. É prestar muita atenção nesse ofício e tratar a roupa com muito esmero, carinho e respeito”, afirmou Augusto Paz ao Elas no Tapete Vermelho. “A gente é apaixonado por fazer roupa. É aí que nosso coração bate mais forte.”

O processo de criação começou com pesquisa de rua e viagens em busca de materiais. O estilista esteve em Paris para a Première Vision e também trabalhou com fornecedores da Turquia e do Brasil, incluindo de Minas Gerais. Entre os parceiros está a Focus Têxtil, que acompanha o ateliê desde o primeiro desfile.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

Sem um fio condutor tradicional, a coleção foi construída a partir de um exercício de colagem e edição. “A gente foi fazer um exercício de colagem, pegando muitas coisas, colando tudo na parede. Aí você vai lá, descansa um pouquinho, toma um cafezinho, volta, edita e vai fazendo esse exercício”, explicou.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

O resultado aparece em materiais e técnicas que valorizam o trabalho manual. Entre os destaques estão o tweed xadrezinho colorido, em tons de verde e azul claros, e em xadrez claro maior com listeras em lurex; as pastilhas de acetato douradas moldadas à mão e os tecidos em devoré produzidos na Turquia, que foram cortados e posteriormente bordados novamente em peças com tons fechados, como azul-marinho e bordô, entre outras peças.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

A construção da imagem da coleção também ganhou um papel importante com a participação do stylist Heleno Manuel. Augusto conta que ele entrou ainda em uma etapa bastante inicial do processo e ajudou a selecionar e organizar as ideias que estavam sendo desenvolvidas no ateliê.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

“Quando o Heleno entrou na jogada, ele chegou numa etapa tão preliminar do negócio que eu botei uma resma de desenhos no colo dele e falei: ‘Amigo, me ajuda. O que sai daqui? Onde é que está o filé-mignon?’”, contou o estilista.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

Para Augusto, a parceria ajudou a traduzir a intenção de apresentar uma nova fase do ateliê. “Espero que a gente tenha conseguido transmitir uma virada de página do ateliê, trazer uma imagem mais fresca, mais jovem, mais atual”, disse ele. Essa nova fase do ateliê, porém, não abandonou clássicos, como o crochê, presente desde o início da caminhada de Augusto Paz na moda. Na coleção, o trabalho manual chega em cardigãs amplos com texturas, e em peças usadas em sobreposições.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

Masculino ganha espaço

A terceira coleção também marca a estreia de uma linha masculina, criada a partir de uma demanda concreta dos clientes. Segundo Augusto, os homens já representavam uma parcela significativa dos negócios do ateliê.

Augusto Paz e Tia Cleusa (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Augusto Paz e Tia Cleusa, no final do desfile de 2025, com a camisa que teve muita demanda dos clientes (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

“Aquela camisa que eu usei na fila final do ano passado trouxe tanta clientela de masculino que, em seis meses, esse público foi responsável por 50% do meu faturamento no ano passado”, revelou.

Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)
Desfile de Augusto Paz (Fotos: Zé Takahashi/Divulgação)

A partir dessa demanda, o estilista decidiu ampliar as opções para eles. A linha masculina é construída principalmente sobre bases de alfaiataria e inclui costumes, jaquetas, camisas e casacos. “Precisamos apresentar mais opções para esse público que está faminto”, diz Augusto. “A recepção tem sido bastante interessante.”

Auguto Paz no fim do desfile (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)
Auguto Paz no fim do desfile (Foto: Zé Takahashi/Divulgação)

A nova coleção, portanto, não parte de uma história única, mas de uma soma de escolhas: pesquisa, materiais, técnicas artesanais, edição de referências e, principalmente, a atenção ao fazer. É a roupa, nas palavras do próprio estilista, ocupando o centro do trabalho.

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