Dia do Artesão: grife valoriza trabalho de mulheres na moda de luxo

No Dia do Artesão ( comememorado em 19 de março, dia de São José, padroeiro da categoria), a moda ganha um lembrete importante: por trás de cada peça que emociona, há mãos que constroem histórias,  muitas vezes invisíveis. Em um país onde o artesanato movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano, representa aproximadamente 3% do PIB e emprega 8,5 milhões de pessoas, segundo o Sebrae, ainda há um descompasso entre relevância econômica e valorização real.

Thayná Soares (Foto: Divulgação)
Thayná Soares (Foto: Divulgação)

É nesse cenário que o bordado brasileiro vem encontrando novos caminhos e também novos palcos. A marca Thayná Caiçara, criada pela paratiense Thayná Soares, ajuda a reposicionar o fazer manual dentro da moda contemporânea e até do mercado de luxo. O diferencial está na técnica: a pintura de agulha, considerada uma das mais sofisticadas do artesanato, capaz de reproduzir efeitos quase pictóricos com linhas. Cada peça pode levar entre 23 e 26 horas de trabalho manual — tempo que traduz não só habilidade, mas também dedicação e precisão.

Pássaro bordado com a técnica pintura de agulha (Foto: Divulgação)
Pássaro bordado com a técnica pintura de agulha (Foto: Divulgação)

Mais do que estética, há um modelo por trás. A marca estruturou uma rede de artesãs com remuneração justa, respeito ao tempo de produção e inserção em um circuito que ultrapassa o Brasil. O bordado deixa de ser visto como complemento e passa a ocupar o centro da criação.

Fernanda Queiroz (Foto: Divulgação)
Artesã Fernanda Queiroz (Foto: Divulgação)

Essa virada se materializa em histórias como a de Fernanda Queiroz, primeira bordadeira do projeto. De Brasília a Paraty, encontrou no fazer manual uma forma de sustento e autonomia — e hoje vive exclusivamente do bordado, atendendo clientes no Brasil e na Europa. Nascida em Brasília, aprendeu a bordar aos 11 anos com vizinhas, enquanto a mãe trabalhava fora. Nos anos 1990, produzia tiras bordadas para panos de prato na Torre de TV da capital federal.

Artesãs que trabalham na marca Thayna Caiçara/Divulgação)
Artesãs que trabalham na marca Thayna Caiçara/Divulgação)

Mãe de três filhos, sendo o mais velho cego, encontrou no fazer manual a possibilidade de conciliar sustento e presença nos atendimentos de estimulação precoce. O bordado se tornou fonte de renda e autonomia. Formada em Jornalismo, atuou como comunicadora, motorista e fotógrafa, sem abandonar pintura, desenho, costura e bordado. Ao se mudar para Paraty (RJ), aprofundou estudos e passou a bordar aves da Mata Atlântica em peças vendidas no Mercado das Artes. Um exemplo de como tradição pode, sim, se transformar em profissão.

No palco

Cantora Ina Magdala (Foto: Estevao Andrade/Divulgação)
Cantora Ina Magdala (Foto: Estevao Andrade/Divulgação)

E o artesanal não fica restrito ao ateliê. Chega também ao palco. A cantora Ina Magdala levou para seu show um figurino criado em parceria com a marca e o designer Ronald van der Kemp, apresentado também na Semana de Alta-Costura de Paris. O look, em veludo preto com pássaros bordados à mão, traduzia uma atmosfera quase onírica — com araras e beija-flores surgindo como metáforas visuais de liberdade, desejo e transformação. No palco, o bordado virou narrativa.

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