Na Semana de Alta-Costura de Paris, a Schiaparelli voltou a transformar moda em experiência. E quem acompanhou o desfile de perto foi Ana Paula Carneiro, que falou com exclusividade ao Elas no Tapete Vermelho sobre os elementos que mais chamaram sua atenção na apresentação assinada por Daniel Roseberry, atual diretor criativo da maison.

Logo na abertura, a atmosfera já indicava o caminho da coleção. “O show começou com um som que parecia preparar a plateia para uma meditação, quase um ritual para receber as roupas”, conta Ana Paula. A sensação de suspensão do tempo conduziu uma narrativa marcada por arte, surrealismo e emoção, pilares históricos da Schiaparelli.
O impacto vinha dos detalhes. “Há uma riqueza impressionante. Tudo é muito escultural”, observa. A coleção foi inspirada na Capela Sistina, em Roma, e no deslumbramento do estilista diante da obra de Michelangelo. Dessa referência nascem os pássaros, que atravessam a coleção como símbolos de elevação, liberdade e transcendência, traduzidos em bordados, volumes e construções de alta complexidade.
Nada ali passava despercebido. “Os cabelos eram extremamente lambidos, muito esticados, com coques sem volume nenhum. É uma estética forte, rigorosa, pensada dos pés à cabeça”, descreve Ana Paula, reforçando o controle absoluto da imagem.
O desfile também estabelece um diálogo direto com o legado da maison. “Há detalhes que remetem aos desenhos originais da Elsa Schiaparelli, reinterpretados de forma atual. É passado e presente conversando o tempo todo”, completa.

Com olhar treinado para o luxo, Ana Paula Carneiro construiu sua trajetória no universo da joalheria e hoje atua como curadora e especialista em marcas de alto padrão, transitanto com naturalidade pelo circuito internacional da moda e da alta-costura.
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A leitura sensível do desfile encontra eco nas palavras de Daniel Roseberry, que revela ter encontrado o núcleo emocional da coleção durante um retiro criativo nos arredores de Roma, após uma visita à Capela Sistina. Para o estilista, ao erguer os olhos para o teto, o pensamento cessa e o sentimento começa. “Pela primeira vez em anos, parei de pensar em como algo deveria ser e passei a pensar em como me sinto ao criá-lo”, afirma.
Essa revelação moldou cada detalhe da coleção. Traços precisos e rabiscos rápidos deram origem a criaturas quiméricas, aves ousadas, explosivas em cores e silhuetas, desafiando a gravidade. Para Roseberry, a alta-costura não existe para o cotidiano, mas para algo mais profundo. “A alta-costura é um convite. Pare de pensar. É hora de sentir. Basta olhar para cima”, resume.
