Com top trans de biquíni, Amir Slama relê anos 80 com muito brilho e cor

Rosângela Espinossi
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Fotos: Francisco Cepeda/AgNews

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Por Rosângela Espinossi

O estilista Amir Slama voltou ao início dos anos 80 e foi buscar no show “Saudades do Brasil”, de Elis Regina, referências para a coleção apresentada no penúltimo dia do SPFWn43. Brilho, cores fortes, metalizados e paetês do começo ao fim, em maiôs e biquínis ícones daquela época, como modelos asa-delta e muitos recortes. A modelo transgênera Valentina Sampaio abriu a apresentação com uma calcinha de biquíni vermelha e blusa prateada. Outra trans, Marcela Thomé, entrou no final, com um maiô branco brilhante.

Fotos: Francisco Cepeda/AgNews

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Com 34 looks, o estilista apresentou também uma sucessão de biquínis, maiôs, vestidos, bodies,  blusas, jaquetas, joggings, que, com as adaptações necessárias, vão para a praia, piscina, balada e até podem dar um dar um giro pela cidade. Se moletons eram o máximo naquela década, Amir se apropriou deles para ampliar e/ou encurtar, como na blusa crooped com capuz rosa, com o nome do estilista impresso.

Fotos: Francisco Cepeda/AgNews

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Claro que os macacões e hot pants com tiras e os maiôs superdecotados são roupas de passarela, mas as peças com listras de paetês coloridos, as blusas de mangas amplas e os vestidos com paetês grandes são fáceis de ser usados na vida real, assim como as blusas metalizadas que deixam os ombros à mostra.

Na passarela, as famosas disco pants, leggings supercoladas e brilhantes, também apareceram, para voltarmos um pouco mais no tempo. Apesar da referência de Elis Regina, a trilha sonora foi feita ao vivo pelo cantor Zeeba (coautor do hit Hear Me Now. O styling foi de Yan Acioli.

Fotos: Francisco Cepeda/AgNews)

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Foi lá do começo dos anos 80 que ele foi buscar também referências dos grafites, época em que começaram a ficar mais visíveis no cenário urbano. No material de divulgação, Amir Slama cita a palavra “logografia”, arte de escrever tão depressa quanto se fala, para explicar seu nome escrito nas peças, em estampa criada pelo seu filho Artur Slama, artista plástico. No começo dos anos 2000,  nomes das marcas estampadas como pichações em acessórios viraram mania no mundo fashion, quando Marc Jacobs colocou nas bolsas Louis Vuitton, usando essa mesma técnica de logografia mostrada por Amir Slama, com as letras desenhadas pelo artista Stephen Sprouse.

Fotos: Francisco Cepeda/AgNews

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As quatro últimas modelos que entraram participaram de uma ação do do jornal Estadão contra o assédio sexual feminino. Com uma tinta invisível, frases como “decote não é convite, ” minha saia não é permissão” e “me visto como eu quiser”, que só apareciam sob as luzes de flash. A campanha tem o objetivo de promover o debate sobre o assédio nem sempre visível contra o sexo feminino.

Mais anos 80

Fotos: Francisco Cepeda/AgNews

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Quem também buscou referências nos anos 80 foi a estilista Juliana Jabour, que expandiu as formas da onda esportiva, que ela gosta tanto de mostrar em suas coleções. Peças largas, listras, com inscrições, num universo biker e motoqueiro, num clima de velozes e furiosos. Nos acessórios, a estilista resgatou as pochetes e botas com polainas.